sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Um dia qualquer

Bom, a temática desse texto é um pouco diferente das demais. De todo modo, lá vai
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Hoje, como qualquer outro dia, foi um dia estranho. Depois de passar raiva aqui e ali me coloco no caminho de casa, da pior maneira possível: o transporte publico brasiliense. Depois de cinco tentativas de pegar um ônibus para casa, desisti, fui para a rodoviária a pé; pois só assim nenhum motorista poderia negar minha viagem. Sol, trabalhadores suados, fome e quatro quilômetros pela frente.
Ao chegar na rodoviária, disse a mim mesmo que agiria com calma pra evitar mais problemas futuros. Na tentativa de tirar a barriga da miséria, fui atrás do famoso Pastel do Viçosa. Aquela típica pastelaria de “um real, um caldo, um pastel” com aquele óleo imortal, sempre preto e delicioso. Lá estava eu, com minha típica cara fechada comendo meu singelo pastel e tomando meu caldo de cana, quando fui surpreendido por um pivete com dois, quem saber três metros . Ouvi a frase “ei moleque, dá um troco aí pra cume”. Tentei ser educado soltando um “nem tenho, amigo”. Depois de a cena repetir-se três vezes, ele tentou uma nova tática: um empurrão, uma mão suja, um grito e um pivete arremessado. Não esperava por uma mão no bolso nem ser empurrado contra o balcão (um fim trágico pra um caldo de cana). Tentou colocar a mão no meu bolso, mas não deu muito certo. Não sei por que raios ele não conseguiu sacar o meu mp3, mas não sacou. A mulher do caixa soltou um grito para que alguém ajudasse o menino. O problema é que eu não era o menino a ser ajudado. Na mesma hora arremessei o menino a umas cinco, quem sabe seis jardas, não esperei, mas aposto que demorou um pouco até o menino se levantar.
Por fim, saí do lugar sem meu caldo de cana e sem o ultimo pedaço do pastel de queijo e ouvindo da mulher que o menino não sabia que estava fazendo. Talvez não soubesse, mas continuará a fazê-lo; e eu, a não aceitar.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Certezas

Thiago, um homem alto e curvo devido à idade, com olhos castanhos escuros e um ar de cansaço e tristeza que vida lhe dera. Fora jogado e abandonado em um asilo pela família, desde então, sua vida era aquele lugar
A vida na casa resumia-se acordar cedo, tomar café ir para varanda da enorme casa e conversar enquanto viam crianças brincar na rua. Passavam manhãs e tardes lembrando e relembrando o que haviam feito durante a juventude. Thiago, diferente dos outros velhos não vivia de suas memórias, e sim de pensamentos. Os demais velhos tinham histórias a serem contadas, aventuras vividas, amores conquistados e paixões perdidas. Thiago sempre viveu de forma passiva, nunca arriscou nada, acretiou sempre estar contente com o pouco que sempre teve. Todas as noites depois da janta iam para suas camas e dormiam praticamente em sincronia, porém, não acordavam com tal sincronia, alguns mais cedo, outros mais tarde, e volta e meia um ou outro sequer acordavam. Tal rotina fazia com que Thiago perdesse muitos de seus amigos. Pior era ter em mente que o sono profundo estava mais perto de si a cada noite de sono.
A cada história contada, a cada noite de sono; Thiago tinha cada vez mais certeza de que sua vida fugia todos os dias. Essa mesma certeza lhe dizia que a vida fugia não só pelo tempo, mas por todas as escolhas que tomou durante a vida. Certo dia, Thiago desapareceu. Dissera a si mesmo que ainda não era tarde para viver. Simplesmente fugiu. E fez uma coisa que jamais fizera antes. Decidiu viver. Seguia rumo ao desconhecido. E a cada lugar novo, uma nova história conquistada.
Por mais idoso que fosse, a idade ainda lhe permitiu viver. Sua vida seguiu um curso natural e se perdeu no tempo. A expressão de cansaço e tristeza que carregara pela a vida sumira, mesmo de olhos fechados, esbanjava contentamento, pois antes de seu último expirar teve uma última certeza. Mesmo que por pouco tempo, ele havia vivido.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O primeiro (re) começo

Hoje, como em vários outros dias de minha vida, estou a mercê de uma ansiedade incontrolável. Primeiro de fevereiro, o relógio indica uma segunda feira, às 0.35 da madrugada. Estou prestes a encarar o meu décimo segundo “primeiro dia de aula”. Mesmo esperando por um acontecimento que não mostre ou indique grandes mistérios. Cá estou eu, deitado em minha cama enquanto minha ansiedade ataca não só meu sono como minha cabeça e meu estômago.
Não consigo tirar uma cena de minha cabeça. Eu sentado no centro da sala envolto de alguns conhecidos e alguns desconhecidos. Ao ouvir o por que de determinada matéria ser fantástica, manter-me calado e não desafiar(questionar) os professores; minha cabeça está longe. Penso que dentro daquela sala estão pessoas com quem passarei os próximos 199 dias do ano, pessoas com quem terei o prazer de conversar, prazer de apreciar e quem sabe, o prazer de ouvir.
Durante a primeira aula, ainda troco olhares com amigos, futuros amigos, futuras amigas, futuras paixões, futuros colegas passivos. Aleatóriamente, acabo por olhar nos olhos de uma menina qualquer, percebo que atrás daqueles olhos confortantes existia uma mulher. E que caberia a mim descobrir quem era aquela mulher.
Ouço o sinal, o primeiro professor sai da sala enquanto um outro entra. Enquanto ouço mais uma vez o discurso do “por quê”, minha mente alça voo novamente e cá estou em outro pensamento. Dessa vez, penso em metas. Metas pensadas, repensadas e estipuladas. Anualmente isso acontece. Pensando sobre minha capacidade de cumpri-las, penso nos anos anteriores, nas metas anteriormente não conquistadas. Dane-se, este ano será diferente, acho. Farei o possível; até onde conseguir juntar os cacos e me reerguer. Simplesmente torcendo para chegar ao final com sanidade mental que me resta.
Tudo se repete até o final da aula. Agora fecho meu caderno, deito em minha cama e espero tudo acontecer.